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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Brincando de arqueóloga

Hoje, na aula de Estudos Sociais, fizemos uma atividade de arqueologia. A professora deu fotos de artefatos egípcios para cada grupo e nós tínhamos que descobrir: para fazer o que cada objeto servia, quem o usava, em qual parte da casa ele ficava e como ele funcionava. Atrás de cada foto tinha o tamanho, a data e uma pista sobre o objeto - por exemplo, "isso era usado para entreter os amigos e a família". Uma das fotos do meu grupo era de uma xícara. Ela era preta, muito bonita e decorada. Eu vi que os egípcios eram muito criativos e tinham uma ótima ideia de design. Considerando a xícara que eu vi, acho que eles gostavam muito de usar a imagem de animais em suas coisas. Eu já sabia que eles veneravam deuses com cara de animais, mas não imaginava que eles colocassem a cara de um bode numa xícara =)

Essa atividade me lembrou uma brincadeira do ROM (Royal Ontario Museum) que participei no dia do meu aniversário. Tem uma sala com três enormes caixas com areia e óculos e pincéis de arqueólogo. Nós podemos pegar as ferramentas e começar a tirar a areia para encontrar réplicas de esqueletos de dinossauros que estão enterrados dentro das caixas. Você precisa ter muita paciência, principalmente para tirar a areia das frestas entre os ossos. Isso dá um trabalho... Mas fiquei muito empolgada fazendo. Foi muito legal!
Nunca vi um museu tão divertido como ROM. Essa brincadeira é tão legal que dá em qualquer um vontade de ser arqueólogo! Eu me senti uma arqueóloga e me imaginei no meio do deserto... :D

quinta-feira, 3 de março de 2011

Ilha Escola - parte 2

No segundo dia de Ilha Escola, acordei e fui comer. O café da manhã até que era razoável lá. Nesse dia, teve até ovo cozido.

Jogo do mapa
Meu grupo no jogo do mapa, o lago congelado e Toronto ao fundo.
Depois do café, nós (os corvos) fomos para uma outra ilha, que era minúscula. Quando chegamos, houve uma reunião para formarmos pares. Cada dupla recebeu um álbum de fotos dali, uma prancheta com um mapa e uma bússola. Nós tínhamos que andar pela ilha, identificar os lugares com as fotos e marcar o número de cada foto nos pontos do mapa. Foi divertido! Depois, brincamos na neve. Daí eu descobri que se você fizer uma bolinha de neve e rolar ela sobre a neve, ela vai conectando com mais neve, ficando uma bola enorme.
Quando voltamos para a Ilha Escola, fomos almoçar. Tinha hambúrguer num pão horrível. Então, só comi a carne.

Jogo da vida selvagem
Correria no pega-pega dos bichos.
Depois do almoço fomos brincar de pega-pega especial. Tínhamos que fazer de conta que éramos animais selvagens, correndo entre as árvores, escondendo-se em troncos ocos... Eu realmente me senti um animal!
Cada um de nós ganhou uma folha, dizendo o que o seu tipo de animal comia. Eu era um mamífero pequeno. Se eu fosse pega por um carnívoro, eu perderia uma das minhas 8 vidas e teria que dar uma carta (porque cada carta representa uma vida) para quem me pegou. Esta pessoa passaria a ter uma vida a mais no jogo.  Se eu visse uma placa com o desenho de alguma coisa que eu comia, eu teria que ir correndo até ela e carimbar (porque cada placa tinha um carimbo diferente, pendurado por uma cordinha) a minha folha. Por isso eles chamavam esta folha de estômago. No final, as professoras viram quem não tinha mais vida e explicou sobre a vida selvagem.

Depois jantamos. Nem me lembro o que comemos. Mas deve ter sido a mesma gororoba de sempre. Tivemos jogos e brincadeiras antes de dormir. Antes de conseguir pegar no sono, fiz rios de lágrimas de saudades dos meus pais novamente :(

Efeitos da gororoba
De madrugada, acordei. Estava com dor de estômago. Bebi muita água. Uma hora depois, acordei novamente, a dor de estômago tinha piorado. Fui para o banheiro e me sentei na privada... achei que ia vomitar... mas não tinha forças para abrir a tampa da privada... vomitei no chão mesmo, na frente da privada! Para sair do toalete, tive que colocar as mãos e pés nas paredes, escalando como uma aranha.  Lavei a boca e fui chamar a professora. Bati na porta do quarto dela, mas ela não acordou. Bati mais forte e sentei para esperar. Logo ela veio. Eu mostrei o que tinha acontecido e ela ficou com uma cara bem assustada. Ela colocou um lixo ao lado da minha cama e disse que ligaria para os meus pais de manhã.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ilha Escola - Parte 1

Entrada da Ilha Escola
Hoje não aconteceu nada de muito especial. Em dias assim, vou aproveitar para contar coisas interessantes que aconteceram aqui antes de eu começar este blog. Começarei pelo passeio que fiz à "Ilha Escola", em janeiro deste ano. Foi realmente uma imersão no Canadá. Fiquei quatro dias longe dos meus pais e de qualquer outra pessoa que não fosse daqui.

Eu era um corvo!
O primeiro dia começou com uma irritante viagem de ônibus até o porto, onde pegamos um barco para uma pequena ilha do Lago Ontário. Assim que chegamos à Ilha Escola, fomos divididos em grupos chamados: libélulas, ursos, raposas, aranhas e corvos. Eu era um corvo, mas queria ser uma libélula. Tinha uma sala comunal, dividida em partes para fazer reuniões de equipe - o meu adorava se reunir para brincar de adivinha o nome do filme. Em cada canto, tinha a imagem dos animais para identificar um grupo. Durante o tempo que fiquei na ilha, notei que cada grupo fazia uma atividade diferente de cada vez. 

Depois que já sabíamos de que grupo éramos, fomos conhecer o dormitório feminino. O quarto era enorme, assim como a minha cama. Era muito grande! Assim que você entrava, via vários beliches e armários com gavetas, prateleiras e cabides, além de tapetes para colocar nossos chinelos. Os colchões eram forrados com capas plásticas (que estranho!), mas todas nós trouxemos saco de dormir, travesseiro e cobertor. Quando você entrava no quarto, também via duas portas. A primeira dava para o dormitório das professoras (que era um pouco mais chique que o nosso) e a segunda para o banheiro. No banheiro tinha três toaletes, três pias com um grande espelho na frente e um murinho que separava a parte dos chuveiros. No fundo, tinha uma porta que dava para o outro lado do quarto. Depois de conhecer o dormitório, fomos almoçar.

Sala da gororoba
O que eu menos gostei de fazer na Ilha Escola foi comer, porque a comida parecia uma gororóba. Eu descobri isso já no primeiro almoço, que para mim foi uma comida horrível: macarrão frio com biscoito de limão.
De qualquer forma, a "sala da gororoba" era bem organizada. Cinco minutos antes de cada refeição, um grupo ia para lá arrumar as cadeiras e mesas. Quando você entrava, tinha que localizar quais eram as duas mesas do seu grupo. Outra regra era: todas as mesas tinham que ser mistas, ou seja, misturar meninos e meninas. Depois de escolher um lugar, você tinha que ficar parado em pé, atrás da cadeira, esperando que as crianças que costumam rezar antes das refeições pudessem fazer isso. Depois, cada grupo era chamado para pegar a sua refeição (aquilo que era obrigatório comer) e um opcional (tipo salada e molhos).  O primeiro grupo a ser chamado era o que tinha arrumado as mesas. 
A cada refeição a cozinheira dava um prêmio (um bichinho de pelúcia e um adesivo) para a mesa mais silenciosa e mais unida, quer dizer, onde as pessoas eram mais  amigas e colaborativas. Também acho que contava  a limpeza da mesa, pois tínhamos que separar o lixo entre líquidos, sólidos vegetais, coisas feitas a partir de leite (como massa e queijo) e lixo de papel (guardanapo). O bichinho de pelúcia fica na mesa até a próxima refeição. O adesivo, você podia colocar num enorme mural com o número da sua mesa (a minha, era a mesa 4).

Parecia que os meus pés iam cair!
Depois do almoço voltamos ao dormitório. 1:30 da tarde já tínhamos escolhido as camas - eu fiquei na parte superior de um beliche, que por sorte era perto do banheiro -, tirado as roupas das malas e guardado tudo nas gavetas. Então, o meu grupo foi para a rua, e ficamos lá toda a tarde. O meu pé quase caiu de tão gelado que ficou, mesmo usando bota especial. Lá tinha muita neve, mais do que em Toronto, e era mais frio e úmido também, acho que por ser ilha.
Farol da Ilha Escola
Primeiro fomos ver o farol da ilha. Lá, ouvimos uma história de terror sobre um homem que foi morto no farol (na verdade, eu não consegui entender bem, porque a pessoa que contou usou um vocabulário que eu não tenho ainda). Mais tarde, jantamos e todos os grupos foram dar uma enorme e cansativa caminhada até o porto e depois ao labirinto. Imagine que isso tudo foi a noite! E naquele frio! Corremos pelo labirinto, que era pequeno, mas fechado no alto (era como se as plantas formassem um teto sobre a nossa cabeça). Eu consegui chegar ao centro e sair do labirinto 4 vezes.

Quando voltamos ao prédio da Ilha Escola, tomamos banho e fomos para o dormitório. Eu estava com tanta cara de sono que a professora me usou para convencer os outros a dormir e não festejar durante a noite. Na cama, eu fiz um rio de lágrimas, com saudades dos meus pais. Mas eu pensava: sei que amanhã será melhor!